menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O país dos diagnósticos e da escassez de execução

12 0
12.09.2026

Vivemos na era do treinador de bancada. Perante qualquer problema económico, político, empresarial ou social, multiplicam-se os diagnósticos, as opiniões e as soluções aparentemente evidentes. Todos sabem o que deveria ter sido feito, quem deveria ter decidido e qual o modelo que permitiria resolver a situação.

Nunca tivemos tanto acesso a informação, conhecimento especializado, estudos comparativos e exemplos internacionais. Ainda assim, continuamos a observar organizações que identificam corretamente os seus problemas, aprovam planos ambiciosos e, meses ou anos depois, permanecem praticamente no mesmo lugar.

O diagnóstico tornou-se abundante. A transformação continua a ser escassa. Talvez porque tenhamos começado a confundir saber explicar um problema com ser capaz de o resolver. São competências muito diferentes. Uma boa análise descreve a realidade. Uma boa liderança altera-a.

Entre o plano e o resultado existe aquilo a que poderíamos chamar o triângulo da inércia: uma leitura insuficiente do contexto, a ausência do capital humano necessário e a incapacidade de mobilizar as pessoas para a mudança.

1 A leitura do contexto

O primeiro erro é acreditar que as soluções existem independentemente do contexto. Procuram-se modelos de sucesso, importam-se metodologias e replicam-se práticas de organizações admiradas, como se aquilo que funcionou num determinado país, setor ou empresa pudesse ser transportado........

© Observador