O país dos diagnósticos e da escassez de execução
Vivemos na era do treinador de bancada. Perante qualquer problema económico, político, empresarial ou social, multiplicam-se os diagnósticos, as opiniões e as soluções aparentemente evidentes. Todos sabem o que deveria ter sido feito, quem deveria ter decidido e qual o modelo que permitiria resolver a situação.
Nunca tivemos tanto acesso a informação, conhecimento especializado, estudos comparativos e exemplos internacionais. Ainda assim, continuamos a observar organizações que identificam corretamente os seus problemas, aprovam planos ambiciosos e, meses ou anos depois, permanecem praticamente no mesmo lugar.
O diagnóstico tornou-se abundante. A transformação continua a ser escassa. Talvez porque tenhamos começado a confundir saber explicar um problema com ser capaz de o resolver. São competências muito diferentes. Uma boa análise descreve a realidade. Uma boa liderança altera-a.
Entre o plano e o resultado existe aquilo a que poderíamos chamar o triângulo da inércia: uma leitura insuficiente do contexto, a ausência do capital humano necessário e a incapacidade de mobilizar as pessoas para a mudança.
1 A leitura do contexto
O primeiro erro é acreditar que as soluções existem independentemente do contexto. Procuram-se modelos de sucesso, importam-se metodologias e replicam-se práticas de organizações admiradas, como se aquilo que funcionou num determinado país, setor ou empresa pudesse ser transportado........
