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Um colo vazio no Dia da Mãe (I)

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24.04.2026

No Dia da Mãe, há histórias que não cabem em fotografias felizes nem em abraços partilhados. Há mães que vivem este dia em silêncio, com o colo vazio, mas com o coração cheio de amor. São mães que estão afastadas dos seus filhos, não por falta de vontade ou de cuidado, mas como consequência de dinâmicas familiares complexas de alienação parental que acabam por separar quem deveria estar junto. Laura (nome fictício) é uma dessas mães.

A sua história, como a de tantas outras, revela uma realidade muitas vezes invisível, marcada pela saudade, por amor, e pela resistência e persistência, apesar da distância. Dar-lhe voz é reconhecer que estas mães existem, sentem a dor de ser afastadas dos filhos, e que, mesmo assim, permanecem presentes.

O seu testemunho integra um conjunto de relatos que aqui trazemos com a intenção de assinalar, simultaneamente, duas datas profundamente simbólicas: O “Dia da Mãe”, a 3 de maio e o “Dia Internacional da Consciencialização para a Alienação Parental”, a 25 de abril. Falar sobre histórias como a de Laura é essencial para ajudar a compreender, a sensibilizar e a prevenir a alienação parental de mães que deveriam ter o direito a uma comemoração plena da sua maternidade.

A sua história, longa e dolorosa, não é única e é precisamente por isso que precisa de ser contada. Neste testemunho, (re)conhecemos a história de uma mãe vítima de alienação parental, que vive entre o amor profundo pelo filho José (nome fictício) e uma realidade difícil, marcada pela distância e pelo conflito. Todos os dias, luta para não perder a sua ligação a ele, mesmo quando tudo parece afastá-los. É uma história de ausência, de procura constante, de resistência e, acima de tudo, de um amor que não desaparece, mesmo à distância.

O testemunho de Laura mostra que ela percebeu que a sua história não é um caso único. Mas que, pelo contrário, faz parte de uma realidade mais ampla vivida por outros pais e mães em situações semelhantes de alienação parental. Aos poucos, ela compreendeu que a sua história não é única, mas faz parte da realidade de muitos outros pais e mães que vivem situações semelhantes de afastamento dos filhos. Esse reconhecimento traz sentimentos mistos. Por um lado, há um certo conforto em saber que não está sozinha; por outro, surge a consciência dolorosa de que este é um problema que se repete em muitas famílias. Como ela própria diz: “Esta história é longa… e muito semelhante a outras que vou ouvindo!”.  A vivência de um sofrimento vivido em silêncio e na solidão, trouxe a Laura uma compreensão mais ampla da sua situação, a de que existem conflitos familiares que, vezes demais, acabam por afastar os pais e os filhos, deixando marcas........

© Observador