A intervenção em contexto nas transições dos filhos
No primeiro artigo, “Alienação Parental Antes do Divórcio: Os Sinais que José Não Reconheceu (I)”, acompanhámos o testemunho de José sobre os primeiros sinais que hoje identifica como tendo surgido ainda durante o casamento. No segundo, “Alienação Parental: Quando o Casamento Chegou ao Limite (II)”, explorámos a degradação da relação conjugal e o seu impacto na dinâmica familiar. No terceiro, “Violência Doméstica e Alienação Parental: Quando o Medo Substitui o Diálogo (III)”, analisámos a forma como os processos judiciais marcaram o início do afastamento entre pai e filha. No quarto, “Duas Filhas, Duas Relações, a Mesma História: O Testemunho de José, um Pai Alienado (IV)”, regressámos aos anos anteriores à separação para compreender a evolução da relação de José com as filhas. No quinto, “Alienação Parental: A Saída de Casa e o Vazio de Regras Após a Separação (V)”, acompanhámos os primeiros meses após a rutura conjugal e as dificuldades vividas por José na ausência de uma regulação das responsabilidades parentais. No sexto, “Alienação Parental: A Luta pela Regulação das Responsabilidades Parentais (VI)”, acompanhámos o percurso que nos descreveu até à obtenção dessa primeira decisão judicial e a importância que lhe atribuiu para garantir uma relação regular com as filhas. No sétimo, “Quando as Decisões dos Tribunais Deixam de Ser Cumpridas e Nada Acontece (VII)”, abordámos as dificuldades que José afirma terem persistido mesmo depois de existirem regras judicialmente definidas.
Neste oitavo artigo, analisamos uma nova dimensão do testemunho de José: as dificuldades vividas nos momentos de transição das filhas entre os dois pais e a importância do recurso à ajuda profissional neste contexto. Através do seu relato e da observação direta de situações de transição entre pais, por ocasião do acompanhamento desta família, procuramos explicar por que razão não basta olhar para o momento em que uma criança chora, recusa ou diz que não quer ir do mãe/pai alienador para o pai/mãe alienado, mas é necessário observar o que acontece antes, durante e depois dessa transição de forma a perceber se os seus comportamentos se mantêm quando o contexto muda e compreender de que forma um conflito de lealdade pode condicionar aquilo que a criança sente, diz e demonstra perante cada um dos pais.
Neste artigo, pretendemos também mostrar uma dimensão essencial da intervenção profissional em situações de alienação parental, que implica “sair do gabinete” e observar a criança nos contextos em que as dificuldades efetivamente acontecem, distinguindo aquilo que é relatado pelos adultos daquilo que pode ser diretamente observado e procurando compreender a realidade emocional da criança, para além do momento imediato da rejeição.
Observar as transições para compreender a rejeição
Em situações de elevada conflitualidade parental, aquilo que acontece quando uma criança passa de um pai para o outro pode revelar aspetos que dificilmente são compreendidos apenas em consulta. A intervenção em contexto permite observar quando surge a rejeição, quanto tempo permanece e, sobretudo, o que acontece quando a criança se afasta de um dos pais e permanece apenas com o outro. Permite também apoiar o pai ou a........
