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O Perigo do Absoluto

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18.02.2026

O caso do jovem português acusado de incitamento e glorificação do terrorismo, recentemente relatado pelo Diário de Notícias, ultrapassa a dimensão de um processo judicial isolado. Trata-se de um episódio que expõe um fenómeno mais profundo: a vulnerabilidade que emerge quando estruturas mentais moldadas por certezas rígidas colapsam.

Segundo o que foi noticiado, trata-se de um homem nascido no Funchal, criado no Reino Unido num contexto familiar ligado às Testemunhas de Jeová, que cumpriu pena de prisão entre 2014 e 2016 e que, nesse período, se terá convertido ao Islão, aderindo posteriormente a uma visão salafista-jihadista que passou a difundir nas redes sociais após regressar a Portugal.

A questão central não é apenas a conversão religiosa ou a actividade digital subsequente. É compreender que tipo de arquitectura mental pode tornar alguém particularmente sensível à sedução de um novo absoluto. A análise deve começar pela estrutura e não pelo rótulo religioso.

O berço da visão fundamentalista

As Testemunhas de Jeová são uma organização religiosa com forte hierarquização doutrinária e clara delimitação identitária. São conhecidas pela sua postura não violenta. Nada na sua doutrina incentiva o terrorismo e seria intelectualmente desonesto insinuar o contrário.

Mas uma coisa é o conteúdo teológico ou doutrinal. Outra é a forma como a identidade é construída dentro do sistema de crenças.

Robert Jay Lifton, no livro Thought Reform and the Psychology of Totalism, descreveu ambientes que funcionam com lógica semelhante à do totalitarismo: verdade exclusiva, autoridade incontestável e a divisão moral rígida entre aqueles que estão “dentro” do grupo e os de “fora”. Ele não se referia apenas a regimes políticos, mas a estruturas mentais que reduzem a complexidade do mundo a narrativas fechadas e dualistas.

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