Três anos de suplício?
Depois da reconstrução pós-Covid, governo, alguns jornalistas e comentadores estão esperançados com uma nova reconstrução pós-Kristin. Em cinco anos, um país com quase 900 será reconstruído duas vezes. É obra. Em todos os sentidos que a palavra tem no dicionário. Mas o mais curioso é a ideia que o governo de Luís Montenegro possa recomeçar do zero por via de um programa de obras públicas de construção civil com impacto na despesa pública, como se o que aconteceu em 2011 tenha sido obra (cá está ela outra vez) do mero acaso. Pior: como se Portugal, após a crise da dívida pública, não devesse ter percebido de uma vez por todas que um país não se desenvolve apenas com obras públicas e investimentos em bens não transaccionáveis. Não soubesse que é preciso mais: uma economia competitiva que leve ao aumento da produtividade, o que passa por mais capital, mais poupança, mais investimento nacional e estrangeiro na produção de bens transaccionáveis, ou seja, produtos que possam ser vendidos para fora do país. Um desenvolvimento mais sustentável porque mais sólido que requer um estado eficaz que cumpra as suas funções essenciais de modo a garantir estabilidade e previsibilidade política, económica, fiscal e social que são a única forma de captar confiança e investimento. Ou seja, e porque o estado português não cumpre estes requisitos exigíveis para esse desenvolvimento........
