Quantos desastres mais
Quantos desastres mais serão necessários para aceitarmos que o clima é mesmo um fator determinante no modo como projetamos, construímos e reconstruímos edifícios? Quantas tempestades, cheias, ondas de calor ou incêndios terão ainda de ocorrer para que se perceba que continuar a construir como no passado é, hoje, uma forma de negligência.
As alterações climáticas já não são uma ameaça futura, são uma realidade presente, com impacto direto na segurança, no conforto e na saúde das pessoas. Em Portugal, sentimos esse impacto de forma cada vez mais evidente, temperaturas extremas, precipitações intensas, ventos violentos e custos energéticos crescentes estão a expor fragilidades profundas do nosso parque edificado. Ainda assim, insiste-se em ignorar o problema. A verdade é simples e desconfortável: os edifícios não estão preparados para as alterações climáticas porque continuam a ser projetados com base em dados climáticos do passado, como se o futuro fosse uma repetição do que já conhecemos. Regulamentos, normas técnicas e práticas de construção correntes permanecem ancorados em pressupostos ultrapassados,........
