Se eles pensam e logo existem
Sim, de vez em quando ainda volta à memória. A expressão de puro terror na cara da minha mãe quando, nos idos do fim do século passado, anunciei que tinha finalmente decidido que curso tirar: filosofia. O leitor stripper ou adolescente grávida sabe do que estou a falar. É um misto de pavor e desapontamento. O encontro do “como é que este rapaz se vai sustentar” com um “mas o que é que eu e o teu pai fizemos de errado”? Felizmente, não acrescentei então que, um dia, também seria crítico de cinema – na altura, não tinha como saber – porque isso sim mereceria o reformatório. De modo que o que ficou foi só a experiência que qualquer indivíduo que tenha escolhido caminho semelhante bem conhece: o choque, a tentativa de nos convencer a estudar qualquer outra coisa – qualquer outra – até, por fim, a lenta aceitação. Não somos diferentes do resto do reino animal: o que toda a mãe quer é apenas garantir que dota a cria das capacidades para sobreviver quando ela já cá não estiver. Em poucas letras: amor.
Pois, ao que parece, numa viragem inesperada da história, corre por aí que os filósofos andam com mais procura do que os programadores informáticos. Pacmans me mordam. Nosso senhor Aristóteles seja louvado.
Escreve o New........
