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Deixem o Luís ir de férias

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23.07.2026

A notícia corria anteontem em rodapé estridente por todos os canais televisivos da especialidade: “Última hora: este ano, o primeiro-ministro não vai tirar férias”. Alguns acrescentavam pormenores: “Só vai gozar alguns fins-de-semana e talvez uns dias esporádicos, mas apenas se agenda o permitir e sem se ausentar do país!” Bravo. Palmas para nós. Fomos nós, colectivamente, que conseguimos este pináculo da exigência e da virtude: o chefe de governo como um mártir que publicita o seu sacrifício para gáudio da multidão. Que progresso civilizacional!

Há que começar, desde logo, pelo conceito de “notícia de última hora”: um comunicado de um gabinete a dizer qualquer coisa que não vai acontecer – isto é, mais ou menos a definição académica de não notícia. Se “O primeiro-ministro vai de férias” nunca seria notícia, e muito menos de “última hora”, quanto mais o oposto. Não há um complemento directo ou indirecto, uma circunstância, uma decisão activa, uma mudança de ideias: do género “Primeiro-ministro cancela férias devido a tempestade”, ou “Tendo em conta a grave situação política ou económica do país, a crise na educação ou as suspeitas sobre o ministro da Administração Interna”, “primeiro-ministro considera que não pode abandonar o barco”.

Só que não. Tanto quanto sabemos, está tudo bem. Dizem-nos que não há caos na educação, apenas “problemas” e que “o pior já passou”. Acerca de tudo o mais, o primeiro-ministro mantém “a confiança” em todos os ministros,........

© Observador