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María Corina Machado: de Oslo a Leão XIV e Trump

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31.01.2026

Nunca esquecerei o meu encontro com María Corina Machado, em Lima, Peru, em 2014. Ao aterrar nessa cidade para um evento da Fundação Internacional para a Liberdade, soube que o governo venezuelano (que já a vinha perseguindo) lhe tinha retirado a imunidade parlamentar e que, se regressasse à sua terra natal, não poderia voltar a sair. María Corina regressou à Venezuela e tive de esperar mais de 11 anos para a abraçar e felicitar pessoalmente de novo. Foi em Oslo quando compareceu para receber o Prémio Nobel da Paz de 2025. María Corina chegou com um dia de atraso devido à difícil operação da viagem e aos pormenores, dignos de um filme, para iludir os controlos das forças de segurança e de inteligência do agora detido Nicolás Maduro. Muitos aspetos da sua dramática saída da Venezuela já são públicos. Para além do desafio psicológico de empreender uma viagem tão perigosa, sofreu também fisicamente e permaneceu na Europa para receber tratamento médico.

María Corina e a sua equipa são bem conhecidos no Acton Institute. Em 2018, foi a oradora principal da Acton University, um programa de vários dias que atrai amigos da liberdade e da fé. Estiveram presentes cerca de mil pessoas de oitenta países diferentes, representantes de mais de duas dezenas de tradições religiosas. Devido à perseguição governamental, o discurso foi feito online, seguido de uma conversa com o Padre Robert Sirico, cofundador do Acton. O Padre Sirico acompanhara de perto os esforços dos lutadores pela liberdade na Venezuela, incluindo intercâmbios anuais com a hierarquia católica venezuelana. Ao longo de todos estes anos de ditadura e de roubo de eleições, a Igreja venezuelana manteve o seu estatuto como a instituição mais respeitada do país.

A primeira visita do Padre Sirico à Venezuela ocorreu a 18 de Fevereiro de 1993 para proferir uma conferência sobre Doutrina Social Católica no seminário São José de El Hatillo. Também deu palestras na Universidade Metropolitana, no IESA e na sede da CEDICE Libertad, o think tank pró-liberdade venezuelano.

O caminho de María Corina até ao Prémio Nobel da Paz começou no início do século XXI, quando liderava a Súmate, uma organização de educação cívica. Conheci-a pela primeira vez através de Rocío Guijarro, a diretora executiva de longa data da CEDICE. Muito antes de María Corina captar a atenção internacional, já caminhava discretamente pelas ruas de Caracas, onde a sua mãe, Corina, cuidava de crianças abandonadas através da Fundação Atenea.

Depois entrou na política. O seu trabalho foi constante, coerente e contínuo. Embora não fale frequentemente de religião, durante os comícios María Corina costuma usar um ou mais rosários e uma cruz simples. Os seus apoiantes oferecem-lhe frequentemente rosários, que ela coleciona e guarda no seu gabinete. Os seus rosários não são uma declaração de moda, mas uma expressão da sua verdadeira identidade. No seu recente encontro com o Santo Padre, deixou também vislumbrar o último rosário recebido, como um pequeno tesouro acabado de lhe ser confiado. Brilhava com uma sobriedade serena, em harmonia com a elegância austera do seu impecável vestido preto. Seguindo o costume de muitos fiéis, María Corina levou consigo uma coleção de rosários e medalhas para serem benzidos pelo Santo Padre e depois oferecidos aos seus amigos na fé.

As suas amigas recordam que, em criança, assistia à missa dominical na igreja dedicada a Nossa Senhora de Coromoto, Padroeira da........

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