O Apagão - Que Energia Queremos?
Na passada 2ª feira, dia 28 de Abril – o país parou após uma falha na distribuição elétrica que durou quase 12 horas. Parece impossível que, em pleno século XXI, com tanta tecnologia e sofisticação, o sistema energético seja tão frágil e vulnerável. Mas não é bem assim: para quem está por dentro do contexto energético português, esta situação era previsível. Recentemente, foi lançada na Netflix uma série na qual um ciberataque disrompe os sistemas dos Estados Unidos, com o título “Zero Day”. Portugal viveu um “Zero Day”, mas ao invés de uma ameaça externa, no caso português tratou-se de um ato de autossabotagem e falta de planeamento a originar esta crise.
Já nos meus tempos de estudante no Instituto Superior Técnico, os professores Luís Mira Amaral e Clemente Pedro Nunes, ambos referências na Indústria Portuguesa, alertavam para os riscos que uma mudança de potências firmes para intermitentes demasiado brusca poderia trazer ao sistema, face à pressão para reduzir as emissões do mix energético português. Os acontecimentos do passado dia 28 demonstraram que este planeamento falhou, e que ao invés de seguirmos a lógica do “plan for the worst, hope for the best”, optámos pelo “plan for the best, pray for the best – and don’t mention the worst”, na esperança de que este problema nunca viesse a acontecer.
O problema é simples: como a eletricidade não se armazena diretamente, é necessário haver um equilíbrio constante na rede entre o que se produz e se consome – isto é, a oferta e a procura devem ser dinamicamente ajustadas em tempo real. Devido à interligação da rede portuguesa com a Espanhola (que operam sobre o Mibel, Mercado Ibérico de electricidade), momentos antes do apagão, face aos preços no mercado, Portugal estava a importar 3.000 Megawatts da rede Espanhola, mais de 30% de um total 8.000 Megawatts em potência de consumo.
Ora, quando........
