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O guarda-chuva foi nosso primeiro apartamento

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27.03.2026

Como você tem a certeza absoluta de que vai viver com alguém por toda a vida?

A longevidade se decide a cada dia.

Em meus retornos de viagem, eu desço do avião louco para ver Beatriz. Isso não diminuiu. O tempo é o aliado da verdade.

A cumplicidade apenas aumenta, e não é dependência. Somos defensores um do outro. Não invente de falar mal de mim para ela: não aceitará! Não ouse falar mal dela para mim: não me calarei!

Somos unha pintada e carne macia, carta perfumada e selo.

Antes dela, eu só rezava para obter algo de Deus, ter uma súplica atendida. Passei a orar para agradecer. Ela mudou, inclusive, minha fé.

Beatriz é tudo o que jamais consegui sonhar, porque ela sempre foi real.

Sua pele ilumina minha semana. Sua voz é minha canção favorita no final de semana.

A partir de nossa relação, não acredito mais em coincidências.

Nunca pensei que beijar fosse o equivalente a sentir sede. Nunca pensei que abraçar fosse o equivalente a sentir fome.

Ela tira o mundo para dançar. Sua energia transforma o ambiente.Descobri que a coragem vem de ser amado.

Morro de amor pelo prazer de ser ressuscitado por ela.

Beatriz demonstra sutilezas que coleciono.

Adota sacolas incolores. Prefere armários envidraçados. Não suporta nada escondido, dissimulado, guardado. É assim seu interior: à mostra. Aprofunda transparências.

Lembro que estávamos passeando por Belo Horizonte em nosso date inaugural, procurando um motivo para não nos separarmos — nenhum dos dois pretendia voltar à existência da véspera —, e começou a chover.

Partilhamos o guarda-chuva, ambos colados, com passinhos miúdos. Nossos ombros se encostavam sem pedir licença, eu segurava o cabo preocupado em não incliná-lo demais, em não molhar seus cabelos e suas costas. Estávamos mais próximos porque enfrentávamos juntos uma adversidade. Entre o teto frágil e a tempestade súbita, nossos corpos buscavam alinhar o ritmo. O guarda-chuva foi nosso primeiro apartamento.

Seu riso é meu relâmpago. Nós rimos até de nosso mau humor.

Eu recolho seus sapatos pela casa. Ela me abre os caminhos.

Mesmo quando ela está quieta, eu a observo de perto. O silêncio é uma voluptuosa presença.

Ela sabe como estou simplesmente me olhando nos olhos.

No cinema, costuma sussurrar que me ama, com a tela refletida em nossas feições, como se fôssemos os protagonistas daquele filme que acabou de iniciar.

Sua autenticidade dispensa a perfeição. Usa chapéus para arejar as ideias. Usa bonés para não esquecê-las.

Aprendemos a nos despertar suavemente pelo quarto: a gentileza de não interromper o sono de quem não precisa trabalhar.

Nossa paciência nasce da confiança.

Só com Beatriz, quanto mais eu divido, mais eu tenho. Ela me inspirou a ser um filho melhor, um pai melhor, um amigo melhor. Não me sequestrou para si. Não me limitou a um papel.

O impossível é nosso vizinho. Que ela seja o que quiser, e serei ao seu lado.

Eu vou envelhecer com ela sem perceber. Sou eterno dentro de Beatriz, e ela é eterna dentro de mim. Muito além das aparências. Amém.

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