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O prolongamento da vida da central nuclear de Almaraz até 2030: uma decisão aberrante

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04.09.2026

A central nuclear de Almaraz tem sido objecto de muita atenção por parte dos municípios portugueses e espanhóis vizinhos, os quais por diversas vezes tomaram posição sobre ela. Mas também pelo movimento ambientalista português e espanhol e personalidades de outras origens.

Também se levantaram questões por causa da construção na central do ATI, Armazém Temporário Individualizado, para guardar “temporariamente” os resíduos altamente radioactivos da central.

Em 1970, uma fuga de materiais radioactivos chegou ao Tejo, em cujas margens existia uma instalação de investigação da Junta de Energia Nuclear espanhola, tendo sido ultrapassados os limites legais de radioactividade. Mas, na época, a Censura portuguesa abafou o assunto. Após uma sessão em Vila Franca de Xira organizada pela Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo com a presença de António Eloy e da Confraria ibérica do Tejo, aquela Associação enviou uma carta aos 33 Presidentes de Câmara Municipal de municípios que bordejam o Tejo, chamando a atenção para a necessidade de acompanharem as análises às águas realizadas pelo Laboratório de Protecção e Segurança Radiológica, instalado no IST. No Tejo espanhol, em tempos das ditaduras ibéricas, existiu uma outra central, José Cabrera ou Zorita, a 70 km de Madrid, já encerrada, mas de cujo funcionamento, como é habitual com centrais nucleares mesmo em democracia, pouco se soube.

Em Espanha e em Portugal, tem-se avolumado, desde há anos, a exigência de encerramento da central de Almaraz. Numerosas manifestações em Espanha exigindo o encerramento de todas as centrais (“Almaraz y Todas las Demás!”) e outras intervenções públicas. Em resultado, o Governo Espanhol resolveu encerrar Almaraz I em Novembro de 2027 e Almaraz II em Outubro de 2028 e todas as centrais até 1935.

É que o primeiro grupo nuclear da central, Almaraz I, iniciou o serviço em 1981 e Almaraz II em 1983, quer dizer, há 45 e 43 anos, respectivamente, quando nos anos 70 e 80, no auge da corrida nuclear, se considerava a vida........

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