Bizgital: modernizar o passado ou construir o futuro?
Em 1997, a Kodak empregava cerca de 140 mil pessoas e dominava uma indústria global construída sobre película fotográfica. Em 2026, a NVIDIA vale centenas de vezes mais do que a Kodak alguma vez valeu, tendo menos de metade dos empregados da Kodak, e produz algo que, há apenas duas décadas, dificilmente seria considerado um ativo económico: inteligência computacional.
Esta comparação não é apenas tecnológica. É económica. Durante mais de um século, as organizações mais valiosas do mundo construíram riqueza através de ativos físicos, infraestruturas e economias de escala. Hoje, os mercados financeiros enviam uma mensagem diferente: as empresas mais valorizadas são aquelas que dominam dados, plataformas, algoritmos, capacidade computacional e inteligência artificial.
No início do século XX, Frederick Winslow Taylor defendia que a produtividade decorria da decomposição científica do trabalho. Medir, dividir tarefas, eliminar desperdícios e otimizar processos. Um século depois, muitas organizações continuam a seguir a mesma lógica, ainda que recorrendo a tecnologia sofisticada. A chamada transformação digital foi, em muitos casos, uma versão tecnológica do taylorismo: automatizar tarefas, acelerar fluxos e monitorizar desempenho em tempo real.
Melhorou-se a eficiência. Reduziram-se custos. Acelerou-se a execução. Mas raramente se questionou o essencial: o modelo de negócio continua a fazer sentido num mundo em que a tecnologia, os dados e a inteligência se tornaram os principais motores da criação de valor?
A diferença entre modernizar e transformar é profunda. Modernizar é tornar o que já existe mais rápido ou mais barato. Transformar é questionar se aquilo que existe continua a ser relevante. Muitas empresas digitalizaram processos,........
