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A energia como instrumento de poder

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17.04.2026

A turbulência geopolítica que estamos a viver é também resultado de uma disputa por recursos energéticos, numa altura em que os níveis de produção e consumo mundial de energia são os mais elevados de sempre. A invasão da Ucrânia pela Rússia não pode ser desligada das reservas de minérios críticos do território ucraniano, assim como as ameaças dos EUA à Gronelândia obedecem a um desejo nada discreto de aceder às riquezas minerais da ilha. Por seu turno, os conflitos no Médio Oriente, como o mais recente no Irão, têm historicamente os combustíveis fósseis como fautores de tensão geopolítica e contendas militares.

A atual competição entre EUA e China também envolve o setor energético enquanto fator estratégico de uma disputa mais ampla por influência geopolítica, liderança tecnológica e crescimento económico. Os EUA tornaram-se líderes mundiais na produção de petróleo e gás, sobretudo com recurso à técnica de fracking (fraturamento hidráulico). Mas também investiram fortemente em energias renováveis (já ultrapassaram o carvão no consumo energético) e em tecnologia para armazenamento, redes inteligentes e eficiência energética.

Mas é a China quem lidera a produção de energia renovável, com mais turbinas eólicas e painéis solares instalados no seu território do que o resto do mundo. O gigante asiático investiu massivamente em infraestruturas energéticas e em tecnologias limpas, sobretudo para energia solar e eólica. É responsável por mais de 80% da produção mundial de painéis fotovoltaicos, o que lhe permite fabricar equipamentos a baixo custo e exportar tecnologia verde. Assume também uma posição de liderança nas tecnologias de redes inteligentes, na transmissão de alta tensão e na produção de veículos elétricos e baterias.

Apesar de Donald Trump não acreditar nas alterações climáticas e de a China ainda depender fortemente do carvão, a transição energética é um processo central na........

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