Razões para ficar
Todos os anos repetimos o mesmo diagnóstico: Portugal perde talento. Jovens qualificados partem à procura de melhores salários, de reconhecimento e de perspetivas de progressão que nem sempre encontram cá. É uma discussão necessária. Mas, talvez estejamos há demasiado tempo a olhar apenas para quem sai e pouco para aquilo que, dentro do nosso país, ainda consegue convencer pessoas a ficar.
Tenho pensado nisso a partir da experiência de quem passa grande parte da vida profissional a contratar, a formar e a liderar pessoas. E há uma transformação que merece mais atenção: a forma como muitos profissionais deixaram de encarar a carreira como uma linha reta.
Durante décadas, estudar uma área significava trabalhar nela até ao fim da vida. Hoje, isso já não é necessariamente assim. Há engenheiros, arquitetos, juristas, gestores ou profissionais de saúde que, a determinada altura das suas vidas, escolhem recomeçar. Há também quem, depois de alguns anos afastado do mercado de trabalho, encontre numa nova área uma oportunidade para regressar e reconstruir o seu percurso profissional, não porque tenha falhado na profissão anterior, mas porque procura outra combinação de autonomia, rendimento, reconhecimento e progressão de carreira.
É neste contexto que a mediação imobiliária merece ser vista de outra forma. Durante muito tempo foi........
