O código é fácil, mais crítica ainda é a engenharia de software
Na reflexão sobre os impactos da IA na indústria e profissão informática, achei que deveria trazer vozes que vivem a mudança no terreno, no dia a dia das equipas. O meu primeiro convidado é o Pedro Samorrinha, meu aluno no Instituto Superior Técnico que tem hoje uma carreira de cerca de vinte anos em Engenharia Informática, com responsabilidades na liderança técnica de equipas, arquitetura de sistemas e condução do ciclo de desenvolvimento de software.
Comecei por lhe propor um cenário que anda a circular na comunicação sobre IA: o responsável técnico chega de manhã, consulta o trabalho produzido durante a noite por uma equipa de agentes, detecta alguns erros, corrige algumas especificações e planeia as novas tarefas, atribui os trabalhos aos agentes e fica com a tarde livre.
O Pedro não acha que este cenário seja a sua realidade, mas poderá vir a ser… Prefere ciclos mais curtos em que consiga validar o que está a ser feito. Insiste sobretudo numa condição prévia: esta forma de produzir software só se torna um verdadeiro factor de produtividade se assentar numa metodologia de desenvolvimento rigorosa.
Perguntei-lhe se isso significa que o trabalho tradicional de programação pode mesmo vir a ser todo executado por agentes. Depende, respondeu, de ter uma engenharia de requisitos muito precisa........
