A coragem de fazer
Há um candidato às presidenciais brasileiras que provavelmente a esmagadora maioria dos portugueses desconhece. Chama-se Renan Santos, é jovem, lidera o partido Missão e apresenta-se com um discurso que, concorde-se ou não com todas as suas propostas, tem uma qualidade cada vez mais rara na política: não foge dos problemas por receio de lhes chamar pelo nome.
É curioso como conhecemos tão mal a política de um país ao qual estamos umbilicalmente ligados. O Brasil deu-nos a maior comunidade estrangeira residente em Portugal e poucas sociedades têm entre si um grau tão profundo de ligação familiar, cultural e humana. Ainda assim, acompanhamos umas eleições americanas ao detalhe e, do Brasil, pouco sabemos para além dos protagonistas habituais.
Renan Santos introduziu no debate uma expressão deliberadamente incómoda: “desfavelização”. Parte de uma ideia que devia ser óbvia: não há nada de romântico numa favela. A pobreza não é património cultural, a falta de saneamento não é autenticidade e viver num território onde o Estado cedeu espaço ao crime organizado não constitui um modo de vida a preservar.
A proposta passa, entre outras medidas, pela construção em........
