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Para além do orçamento

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12.10.2026

O Orçamento do Estado parece uma conversa de ministros, economistas e números com demasiados zeros. Mas está na escola dos nossos filhos, na consulta que esperamos, na pensão dos nossos pais e no imposto que pagamos quando abastecemos o carro. É o plano anual que prevê quanto dinheiro público entra, quanto dinheiro sai e traduz escolhas políticas: quem contribui, quem beneficia e o que fica para depois.

Pensemos numa família que distribui o rendimento entre alimentação, casa, transportes e obras. O Estado também escolhe, embora tenha poderes e responsabilidades muito diferentes. Pode cobrar impostos e recorrer a empréstimos, mas estes terão de ser pagos. E prever dinheiro para uma obra não significa tê-la concluída. O orçamento é o ponto de partida; a execução é que chega à nossa vida.

A proposta para 2027, ainda sujeita à discussão parlamentar, prevê, para o conjunto das administrações públicas, 143,4 mil milhões de euros de receita e 143,1 mil milhões de despesa, em contabilidade nacional. O excedente é de 275 milhões: cerca de 19 cêntimos por cada 100 euros recebidos. As contas fecham, mas a margem é estreita.

De onde vem o dinheiro? Cerca........

© JM Madeira