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A herança pode chegar tarde demais

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21.10.2026

Existe uma contradição curiosa na maneira como algumas famílias organizam seu patrimônio. Pais passam décadas trabalhando, construindo empresas, acumulando investimentos e fazendo sacrifícios para proporcionar uma vida melhor aos filhos.

Quando chega a hora de discutir o destino desse patrimônio, porém, quase sempre partem da mesma premissa: um dia, quando eu não estiver mais aqui, tudo isso será deles.

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É uma decisão perfeitamente compreensível. Deixar patrimônio também é uma forma de cuidar de quem amamos. O que me chama atenção é como discutimos o tamanho da herança e sua organização jurídica, tributária e sucessória, mas raramente fazemos uma pergunta mais simples: em que momento da vida dos nossos filhos esse dinheiro será mais útil?

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Aos 30 anos, esses recursos podem interferir em decisões importantes. Décadas depois, uma herança muito maior continuará sendo valiosa, evidentemente, mas chegará quando boa parte das grandes escolhas da vida provavelmente já tiver sido feita.

Foi difícil não pensar em Bill Perkins enquanto refletia sobre isso.

Em Morra sem nada, Perkins parte de um título extremamente provocativo para discutir uma ideia menos radical do que parece. Seu argumento não é que devemos gastar irresponsavelmente tudo o que construímos.

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É que dinheiro tem utilidades diferentes ao longo da vida e, portanto, acumular cada vez mais não deveria ser um objetivo desvinculado daquilo que esse patrimônio pode proporcionar.

Morgan Housel segue por........

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