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Atlas da Violência erra feio: o inimigo não é o “patriarcado”

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13.06.2026

Recebi de um amigo alguns recortes do Atlas da Violência 2026. Confesso que, à primeira vista, imaginei encontrar apenas aquilo que se espera de uma publicação dessa natureza: dados, séries históricas, cruzamentos estatísticos, diagnóstico criminal, análise de políticas públicas e o esforço necessário de compreender uma das grandes tragédias nacionais. O Brasil é um país violento demais para que qualquer pessoa séria trate esse tema com leviandade. Homicídios, estupros, feminicídios, agressões contra crianças, idosos e pessoas vulneráveis são realidades dolorosas que precisam ser conhecidas e enfrentadas com seriedade. Fui atrás do documento e me surpreendi – não apenas com os números, mas também com a narrativa.

Logo no início o Atlas afirma que assumiu o compromisso de lançar luz sobre as “dinâmicas da violência estrutural (p. 6)”. Mais adiante, ao tratar da violência contra a mulher, sustenta que a persistência dos feminicídios e da violência sexual faria parte do enredo de uma sociedade que “não superou os valores do patriarcado (p. 10)”. Na mesma seção, o relatório passa a abordar a chamada “cultura red pill”, inserindo-a no universo mais amplo da machosfera, e conclui que “a consolidação do processo civilizatório exige (p. 11)” educação para igualdade de gênero, letramento digital crítico e prevenção da misoginia desde a infância e adolescência.

A escolha das palavras nunca é neutra, na verdade, especialmente em um relatório organizado pelo governo. Quando um relatório público fala em “violência estrutural”, “patriarcado”, “igualdade de gênero”, “misoginia cultural” e “processo civilizatório”, ele não está apenas descrevendo fatos. O que ele está fazendo é ordenar esses fatos dentro de sua ideologia e teoria social. E essa teoria não nasce dos números. Ela antecede os números, que são cuidadosamente encaixados nela com o desiderato único de confirmá-la. É aqui que a discussão precisa ser feita com honestidade.

O menino criado sem referência moral estável, exposto desde cedo ao crime, à pornografia e às drogas, não se torna menos perigoso porque aprendeu slogans sobre igualdade de gênero

O menino criado sem referência moral estável, exposto desde cedo ao crime, à pornografia e às drogas, não se torna menos perigoso porque aprendeu slogans sobre igualdade de gênero

Ninguém sério nega a existência da violência contra a mulher. Estupro, agressão, assédio, exploração sexual e feminicídio são crimes gravíssimos e devem ser combatidos com todo o rigor da lei. Não há divergência moral relevante sobre isso. A sociedade brasileira precisa proteger melhor as mulheres, punir criminosos, acolher vítimas, melhorar investigações, reduzir a impunidade e enfrentar ambientes familiares e sociais em que a violência se perpetua. Tudo isso é verdadeiro, urgente e necessário.

O problema começa quando a existência desses crimes é transformada em prova automática de uma tese meramente ideológica. Os dados mostram que existe violência, vítimas e que há padrões preocupantes e fenômenos........

© Gazeta do Povo