O apelo do papa Leão XIV por missas bem celebradas
No início do ano, o papa Leão XIV começou um ciclo de catequeses, nas audiências gerais de quarta-feira, dedicado ao Concílio Vaticano II. Na quarta-feira passada, ele falou da constituição Sacrosanctum Concilium, sobre a liturgia. Vocês sabem, é aquele documento que pede para “conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular”; que “reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano”, canto que terá, “na ação litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar”; e também pede que se tenha “em grande apreço na Igreja latina o órgão de tubos”. O quê? Vocês não sabiam que tudo isso está nos documentos do Vaticano II? Mas que concílio é esse que estão vendendo pra vocês?
Na catequese de quarta-feira passada, o papa encerrou o trecho sobre os documentos conciliares com um pedido: “exorto todos aqueles que são chamados a preparar a celebração dos divinos mistérios, em particular os sacerdotes que exercem o ministério da presidência litúrgica, a manter sempre o respeito pelos textos e pelas normas da liturgia que brota de uma atitude interior de disponibilidade e confiança em Deus, manifestando humildade perante a sua grandeza e sincera fidelidade à comunhão eclesial”. Respeito pelos textos e pelas normas da liturgia, algo que os papas vêm pedindo há muitas décadas, porque hoje o que mais existe, infelizmente, é desrespeito. Por mais que o Concílio Vaticano II afirme que “ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja o que for em matéria litúrgica”, o católico médio está cansado de ver padres que fazem o que bem entendem com a Santa Missa.
Pior é que o papa Leão XIV não está pedindo nenhuma novidade. Vejam o que o papa Francisco escreveu em Desiderio desideravi: “todos os aspectos do celebrar devem ser cuidados (espaço, tempo, gestos, palavras, objetos, vestes, canto, música...) e todas as rubricas devem ser observadas” (destaque meu). E, antes dele, João Paulo II e Bento XVI também ressaltaram a importância de seguir as instruções dos livros litúrgicos com precisão.
“Todos os aspectos do celebrar devem ser cuidados (espaço, tempo, gestos, palavras, objetos, vestes, canto, música...) e todas as rubricas devem ser observadas.”Papa Francisco, na carta Desiderio desideravi.
“Todos os aspectos do celebrar devem ser cuidados (espaço, tempo, gestos, palavras, objetos, vestes, canto, música...) e todas as rubricas devem ser observadas.”
Esquilos amestrados no ofertório
Quem estuda Direito aprende que o cidadão comum pode fazer tudo aquilo que a lei não proíbe, enquanto o administrador ou funcionário público só pode fazer aquilo que a lei permite expressamente. A liturgia católica funciona como essa segunda situação: os celebrantes e seus assistentes só podem fazer aquilo que está descrito no missal – em outras palavras, precisam dizer o preto e fazer o vermelho, como diz o padre Zuhlsdorf, em referência às cores das instruções e das partes ditas pelo sacerdote ou pelo povo.
Para usar um exemplo que eu adorava citar na época do finado Orkut, o missal não diz que é proibido usar esquilos amestrados para levar o pão e o vinho ao padre no ofertório, mas nem........
