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O fantasma de Fidel

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13.08.2026

Se estivesse vivo, Fidel Castro completaria hoje cem anos. Para marcar a data, o regime cubano organizou o que pode ser uma reprodução terrena da festa no inferno. Em Havana, mais de 1.500 militantes e representantes de organizações estrangeiras foram mobilizados para reverenciar o comandante, enquanto, em grande parte da ilha, os apagões ultrapassam vinte horas por dia. Só em julho, o sistema elétrico sofreu três colapsos nacionais. A cena resume o centenário: celebra-se, sob luz cerimonial, o homem cujo modelo ajudou a deixar Cuba no escuro. Mas não só isso. As trevas cubanas vêm acompanhadas de carestia, deterioração da infraestrutura e perseguições políticas.

O ditador de turno, Miguel Díaz-Canel, afirmou que Fidel deve ser lembrado não apenas como personagem histórico, mas como “guia” para superar os desafios da “Cuba real de 2026”. É uma confissão de que o fantasma de Fidel ainda governa. Está no partido único, na imprensa amordaçada, na Justiça subordinada, no medo de falar e na incapacidade de reformar uma economia sem ameaçar o monopólio político do regime. O gemido fantasmagórico de Fidel se manifesta no borborigmo de cubanos desnutridos.

A “Cuba real” é um país onde quem pode foge. A “Cuba real” é um inferno. Dados oficiais indicavam menos de 9,8 milhões de habitantes ao fim de 2024, uma perda de 13% em relação a 2012. A sangria demográfica é ainda maior, considerando que todo e qualquer dado oficial de Cuba é contestável. A economia encolheu cerca de 10% desde 2019. Em cinco anos, agricultura, pecuária e mineração recuaram mais de 53%; a indústria, 23%. Faltam comida, remédios, combustível e perspectiva. E centenas de presos políticos continuam atrás das grades, muitos dos quais foram detidos ainda na adolescência sob a acusação de terrorismo, somente por terem participado dos protestos de julho de 2021.

As sanções americanas e, mais recentemente, o cerco ao fornecimento de petróleo agravam brutalmente a crise.........

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