menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Como sobreviver a uma crise política

16 0
21.05.2026

O que é uma crise? O termo grego κρίσις (krísis) tem significados aparentemente diversos, mas que se unem perfeitamente no que entendemos ser um momento de crise. Pode ser tanto separação quanto decisão, julgamento ou o momento de escolha (o que nós chamamos de timing e os gregos, muito mais ricamente, de καιρός, ou kairós, quando um instante tem mais significado para o destino do que muitos longos momentos anteriores e posteriores).

Ou seja, uma crise é um momento de decidir algo com certa urgência, com pouco tempo, sabendo-se que este momento é de ruptura, de diferença, de separação do joio do trigo. Muito será deixado para trás – porém, quem sobrevive carrega algo muito mais grandioso.

Como ocorrem crises políticas? Na literatura e na história, as duas verdadeiras instâncias da vida onde ocorrem os grandes atos (infelizmente esquecidos e trocados por discussões sobre Brasília), estamos acostumados ao lugar-comum de que crises políticas são geradas por uma diferença entre realidade e imagem, quase sempre agravadas por bajuladores nas altas esferas do poder, crescendo enquanto parasitam aqueles reis poderosos, mas “aconselhados” por algum capachão que afasta o rei da realidade, via de regra aproveitando-se de uma fraqueza sua (vaidade, ganância, medo e derivados), com alvitres que provoquem um alento ao ego do soberano, enquanto o direcionam à bancarrota.

É impossível pensar em um puxa-saco na política que não tenha uma agenda própria, quase sempre inversa à do bajulado. O puxa-saco nunca é heroico ou virtuoso, nunca é admirável.

Othello, Macbeth, Fiódor Pavlovitch (de Os Irmãos Karamázov), todos vivem cercados de capachões que os levam à sua própria ruína. Talvez os dois exemplos mais famosos sejam Dom Quixote, que é incentivado por cortesãos que cruelmente riem de sua loucura, e Gríma Língua de Cobra (Grima Wormtongue), de O Senhor dos Anéis, que isola o rei Théoden de Rohan de pessoas sinceras, transformando sua dependência emocional em influência política. Quem acaba governando, obviamente, é o próprio Gríma, e........

© Gazeta do Povo