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O carnaval 2026 e o curioso desfile dos putrefadores

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20.02.2026

“Abolição da família! Até o mais radical inflama-se em frente desta proposta infame dos comunistas (...) Você nos incrimina de querer terminar com a exploração das crianças pelos pais? Deste crime, confessamo-nos culpados.” (Karl Marx e Friedrich Engels, O Manifesto do Partido Comunista)

De onde terá saído a brilhante ideia de que o objetivo de conservar uma bela família nuclear formada por um pai (homem), uma mãe (mulher) e um punhado de filhos se prestaria ao escárnio? Que tipo social poderia supor que a cena de uma família “em conserva” pudesse envergonhar ou constranger os alvos da tentativa de troça? Qual excelsa inteligência imaginou que zombar de uma tal configuração familiar tradicional, ademais apontando a sua religiosidade como digna de chacota, poderia render bons dividendos políticos, sobretudo em ano eleitoral?

A resposta é uma só: um idiota útil do lulopetismo – no caso, o carnavalesco e o presidente da Acadêmicos de Niterói, previsivelmente rebaixada no carnaval carioca. Eis aí um imbecil coletivo (sensu Olavo de Carvalho) que assimilou inconscientemente, como um peixe que não se dá conta da água em que nada, uma cultura política arcaica de ódio à família, cujas origens remotas o imbecil desconhece, mas que ingeriu como uma papinha gosmenta, em porções diluídas ao longo do tempo, da colher dos ideólogos do partido. Assim, acreditando estar apenas debochando daqueles que aprendeu a ver como obstáculos à sua utopia político-social (os “evangélicos”, os “reacionários”, os “homofóbicos”, os “bolsonaristas” etc.), o idiota útil do lulopetismo jamais suspeitou estar tomando partido do totalitarismo contra a liberdade, justo no momento em que pretendia celebrar a segunda.

Sim, o ressentimento disfarçado de irreverência que o pessoal da Acadêmicos de Niterói nutre pela família conservadora brasileira mimetiza o ódio lulopetista contra essa estrutura familiar, um ódio quintessencial que, por sua vez, se insere na longa tradição comunista de combate à família, estigmatizada publicamente como origem da propriedade privada e do Estado burguês, mas vista realmente, da perspectiva estratégica, como o último bastião contra o projeto de poder totalitário dos comunistas. Esse projeto, como a história cansou de demonstrar, implica a eliminação total da esfera privada da existência, a politização – e consequente controle........

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