A presença aeroespacial chinesa no Brasil
Os Estados Unidos têm denunciado a intensa presença da China na infraestrutura aeroespacial da América Latina. Esse é o tema, por exemplo, de um relatório recém-publicado pelo comitê especial do Congresso americano dedicado à disputa geopolítica entre os Estados Unidos e a China. Intitulado Pulling Latin America into China’s Orbit, o documento descreve a formação de uma rede regional de instalações espaciais ligadas a instituições chinesas: antenas de rastreamento, estações de comunicação com satélites, telescópios e centros de monitoramento orbital.
À primeira vista, é claro, tudo parece não passar de uma cooperação científica ou tecnológica inocente. Mas, num mundo no qual o domínio do espaço tornou-se um componente central da competição estratégica entre grandes potências, infraestrutura espacial raramente é apenas ciência. Satélites significam comunicação, vigilância, inteligência, navegação e capacidade militar. Quem controla as redes que os conectam controla também uma parte importante da arquitetura do poder no século 21.
O Brasil é citado explicitamente no relatório americano. O documento identifica pelo menos dois projetos de importância estratégica e geopolítica instaladas em território brasileiro.
O primeiro é a chamada Tucano Ground Station, estabelecida em 2020 como resultado de uma parceria entre a startup brasileira Ayla Nanosatellites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology, ligada ao complexo aeroespacial estatal de Pequim. A estação foi concebida para fornecer comunicações de longa duração entre satélites e estações terrestres, inclusive para satélites de observação e reconhecimento. O projeto inclui acordos de intercâmbio de dados operacionais entre redes de antenas brasileiras e chinesas, criando um sistema integrado de comunicações espaciais.
Aquilo que aparece como cooperação científica pode integrar uma infraestrutura dual – civil na aparência, militar em suas potenciais........
