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A ONU e o antissemitismo como política institucional

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15.05.2026

Como informa o repórter John Lucas para esta Gazeta do Povo, uma juíza federal norte-americana suspendeu as sanções impostas pelo governo Trump contra Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os territórios palestinos. Albanese comemorou a decisão nas redes sociais com o entusiasmo de quem acabou de ganhar uma batalha em campo inimigo – e, de certa forma, é exatamente isso. O embaixador israelense Danny Danon não tardou a responder: a relatora, afirmou ele, usa seu cargo para travar uma campanha de incitação política contra Israel e os Estados Unidos, espalha mentiras e calúnias de sangue, e presta apoio consistente aos terroristas do Hamas, mesmo após o massacre de 7 de outubro.

São palavras duras. O que surpreende no caso não é propriamente a acusação de Danon, mas o fato de que ela seja necessária em pleno ano de 2026, como se a ONU e o antissemitismo fossem uma novidade. Não são. A relação entre as Nações Unidas e o ódio aos judeus é tão velha quanto as próprias Nações Unidas. E, para compreendê-la em profundidade, é preciso começar não em Nova York ou em Durban, mas em Moscou.

A URSS e a invenção do antissionismo moderno

A União Soviética foi a grande fábrica ideológica do antissemitismo moderno disfarçado de antissionismo. Após uma lua de mel inicial – a URSS foi um dos primeiros países a reconhecer Israel, em 1948 –, Moscou virou rapidamente o tabuleiro. Já sob Stalin, os judeus soviéticos eram perseguidos como cosmopolitas sem raízes; com a Guerra Fria em pleno vigor, o regime encontrou na causa palestina um instrumento perfeito para desestabilizar o Ocidente e conquistar aliados no Terceiro Mundo.

Moscou financiou, treinou e orquestrou grupos terroristas palestinos, ao mesmo tempo em que produzia e exportava propaganda que redefinia o sionismo como imperialismo, colonialismo e, finalmente, racismo

Moscou financiou, treinou e orquestrou grupos terroristas palestinos, ao mesmo tempo em que produzia e exportava propaganda que redefinia o sionismo como imperialismo, colonialismo e, finalmente, racismo

A KGB foi central nesse processo. O general Ion Mihai Pacepa, chefe da inteligência romena que desertou para o Ocidente em 1978, deixou testemunho detalhado de como Moscou financiou, treinou e orquestrou grupos terroristas palestinos, ao mesmo tempo em que produzia e exportava propaganda que redefinia o sionismo – o movimento de autodeterminação nacional dos judeus – como imperialismo, colonialismo e, finalmente, racismo. Não era uma metáfora política gratuita, mas uma campanha deliberada de engenharia semântica.

O passo mais ousado dessa campanha foi equiparar o sionismo ao nazismo. Em 1965, o Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética aprovou........

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