Por que Renan Santos não merece seu voto (mas merece disputar)?
“Eu sou o maior orador da minha geração no mundo.” Foi assim que Renan Santos se apresentou à Economist. A revista britânica achou graça, mas levou a sério: comparou Renan a Javier Milei e apresentou como a voz liberal que a direita brasileira esperava desde o declínio do bolsonarismo.
A matéria foi publicada segunda de manhã. Segunda à tarde, a Economist já tinha trocado o título, de "aposta ousada da direita" para "o candidato que as autoridades brasileiras tentam banir".
Foi nesse intervalo que um ministro do TSE suspendeu a campanha inteira de Renan Santos, e foi isso que me colocou na posição de defender o direito de disputar eleição de um candidato em quem eu nunca votaria.
E pra entender o porquê, melhor perguntar: será que a Economist sequer leu o Livro Amarelo, plano de governo de que Renan tanto se orgulha?
Porque é ali que um candidato revela como enxerga o país e o que pretende fazer com o poder. É a partir dessas ideias que se decide se o governo deve cobrar mais imposto, controlar empresas, regular jornais ou limitar o que as pessoas podem fazer com a própria vida.
O candidato que a Economist apresenta como liberal trata o liberalismo de Smith, Hayek e Friedman como uma visão simplista. Para Renan, essa defesa da liberdade promete milagres onde existem apenas desafios operacionais. O liberal da Economist não acredita........
