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Ormuz será o teste do algodão para a hegemonia futura do petróleo?

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23.04.2026

A atual crise energética, desencadeada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, distingue-se claramente das anteriores. Apesar de apresentar riscos elevados, nomeadamente ao nível do fornecimento de petróleo e derivados, os seus impactos económicos têm sido, pelo menos até ao momento, muito mais contidos do que em crises anteriores, como os choques petrolíferos da década de 1970 ou a crise energética de 2022. As crises devem ser vistas e analisadas com os olhos de hoje e não com os olhos de há quatro anos ou da década de 1970. A atual crise energética pode nem chegar a ser uma verdadeira crise.

No entanto, ao contrário da crise energética de 2022, o gás natural não tem sido o principal fator de instabilidade. Nos Estados Unidos, a principal referência para o gás natural, o Henry Hub, recuou para cerca de 2,68 dólares por MMBtu (unidade patrão de medida de energia), abaixo dos níveis anteriores ao conflito. Na Europa, o TTF holandês subiu de 30 para 60 euros por MWh, tendo, entretanto, recuado para 39 euros, um valor muito inferior ao máximo de cerca de 350 euros em agosto de 2022.

Isto indica que, apesar da tensão geopolítica, não se verifica, para já, qualquer crise generalizada no mercado de gás. Dado o papel relevante do gás natural na produção de eletricidade na Europa, esta estabilidade tem também evitado qualquer crise nos mercados elétricos.

A menor intensidade energética das economias modernas ajuda a explicar esta resiliência. Desde os choques petrolíferos dos anos 70, as economias........

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