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Da "Amália" aos data centres: a soberania digital também é física

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20.07.2026

A posição geográfica de Portugal é, historicamente, um dos seus maiores ativos estratégicos. No século XXI, com uma vasta Zona Económica Exclusiva e cabos submarinos que ligam a Europa, África e as Américas, essa centralidade atlântica pode transformar-se numa vantagem digital. Mas a geografia, por si só, não gera soberania: sem energia, água, regulação e capacidade industrial, Portugal arrisca-se a ser apenas um ponto de passagem, e não um verdadeiro nó europeu da computação.



O lançamento da LLM “Amália”, em julho de 2026, tornou esta agenda evidente. Um grande modelo de linguagem nacional (LMM - Large Language Model) mostra que a inteligência artificial não vive apenas de código, talento ou algoritmos. Precisa de dados, capacidade de processamento, armazenamento seguro e latência reduzida. Ou seja, precisa de infraestruturas físicas robustas, capazes de suportar usos públicos, científicos e empresariais em escala.



É aqui que surgem duas restrições industriais decisivas: eletricidade contínua e gestão sustentável da água. Os data centres de nova geração são verdadeiras fábricas de computação. Consomem energia em permanência e geram calor em níveis que exigem refrigeração sofisticada. A soberania digital, tantas vezes discutida como tema jurídico ou tecnológico, é também uma questão física.



Energia firme para uma economia



A computação avançada de inteligência artificial funciona em regime contínuo. Servidores de treino e inferência não podem depender apenas da variabilidade do vento ou da luz solar. As renováveis são........

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