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Corrigir um erro estratégico: liderar uma reforma estrutural

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tuesday

No dia 24 de junho decorreu uma audição ao engenheiro Tiago Oliveira, anterior Presidente da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), na Comissão Parlamentar de Inquérito “aos Negócios dos Incêndios Rurais” e que trouxe para o debate público dois sinais que não devem ser ignorados:

i) A saída do anterior presidente da AGIF resulta de falta de condições pessoais e institucionais e da perda de influência técnica da Agência após a decisão política da sua passagem para a tutela da Agricultura e Mar;

ii) A necessidade de avaliação da eficiência da despesa pública, a par da reforma administrativa do quadro institucional, dos procedimentos de gestão, da promoção da cooperação, da aquisição centralizada e da regulação da atividade - também económica - dos setores diretamente relacionados com os incêndios.

Nenhum destes sinais se coaduna com uma gestão política setorial, reativa ou de curto prazo. Pelo contrário: confirma que a resposta aos incêndios rurais precisa de governação forte, planeamento plurianual, capacidade técnica e uma AGIF com peso técnico e apoio político suficientes para coordenar o sistema, avaliar resultados e resistir à ineficiência de aumento de despesa pública com reforço de meios sem avaliação.

Portugal entrou em 2026 com uma evidência tantas vezes repetida e que já não pode ser tratada como sazonal: os incêndios rurais são um problema de Estado, muito para além da “época de incêndios” ou do “teatro de operações”. Trata-se de um problema complexo de economia, de saúde pública e de território.

Em 2024 tivemos o menor número de incêndios rurais desde que há registo — 6.255 ocorrências, menos 63% do que a média anual de 2001-2017 — mas arderam quase 138.000 hectares, quatro vezes mais do que em 2023, com prejuízos estimados em 67 milhões de euros na floresta.

Em 2025, o aviso foi ainda mais severo: arderam cerca de 270 mil hectares em Portugal - o pior ano desde 2017 - e 452 mil em Espanha. A Península Ibérica foi responsável por quase dois terços da área queimada na Europa. Há menos ignições, mas quando o sistema falha, as consequências são mais extensas.

O Senhor........

© Expresso