menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Manosfera: a misoginia dá dinheiro

34 0
23.04.2026

As notícias recentes não auguram nada de bom. A maioria dos rapazes millennials e da geração Z acha que os direitos das mulheres ameaçam os homens. Cresceu a violência no namoro. Há mais violações entre menores. A ciberviolência está cada vez mais sexual. Os extremos têm atraído o voto masculino. E tudo o que é influenciador de masculinidade identificou um alvo para onde os rapazes infelizes podem apontar o dedo: sem surpresa, as mulheres.

Estes influenciadores digitais, como Andrew Tate ou Harrison Sullivan, sugerem que ser homem implica ser violento, arrogante, dominante. Nesta conceção, a mulher é pouco mais do que régua alheia, medindo a força do seu líder, um misto de prisioneira e conquista. Não deve trabalhar, sair de casa, votar, ter qualquer papel na vida cívica, interesses ou passado, e ai jesus se algum dia fala com o vizinho.

Na cabeça destes influenciadores, as mulheres são uma coisa muito à parte. Não são bem pessoas de pleno direito, não são vistas como cerebradas, cerebrais, racionais. Parecem uma amálgama de emoção incontida, perante homens que advogam a incapacidade de os outros homens se conterem. Fartam-se de dizer que cada um é uma ameaça, reciclando o discurso misógino de forma a acantonar as mulheres no espaço doméstico: o lar deve bastar-lhes, esfregar manchas de sopa deve trazer-lhes satisfação e qualquer interesse que tenham é uma ameaça........

© Expresso