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Afonso de Albuquerque e o estreito de Ormuz

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23.03.2026

Quando Afonso de Albuquerque conquistou Goa, Malaca e dominou o estreito de Ormuz, não sabia, não podia saber, como é óbvio que este estreito se tornaria o calcanhar de Aquiles da economia mundial. Mas talvez soubesse da importância estratégica deste estreito, expressa na carta que Pero da Covilhã enviara ao rei D. João II, de Sofala, onde chegou por terra. A guerra contra o Irão que teima, segundo se presume, a pretender ser o senhor dono dos países do médio Oriente, fechou o estreito por onde passava o crude, provocou uma catástrofe a nível mundial. Os povos viram-se de um momento para o outro empobrecidos; as economias que dependem em grande escala do petróleo, acusam a escassez que pode surgir e a carestia da subida de preços duma forma dramática. A subida dos preços refletem-se nos consumidores mas , na verdade, há limites para as despesas menos necessárias provocando uma hecatombe financeira mundial porque quem não tem dinheiro não compra e sem compradores não vale a pena fabricar. Têm surgido boas-vontades na disponibilidade das suas reservas. Mas o problema é que o mundo gasta milhões de milhões diariamente. Há que reconverter a energia fóssil, já no último escrito o dissemos, mas enquanto se não transforma esta energia é preciso acudir ao imediato, não vá o doente morrer com a espera. Então, foi com alguma esperança ouvir anunciar que os barcos petroleiros vão ser escoltados em Ormuz, permitindo mais segurança, (espera-se que seja total), a quem traz nos seus porões a alimentação duma economia global. Não sei se será fácil ou difícil, senão mesmo impossível, mas sabemos que todo o esforço de guarda aos petroleiros, é bem vindo. Para já esta notícia semeou a esperança, mas é preciso que esta esperança se não torne em pesadelo. Em vez destes guardiões serem usados na máquina de guerra, tornam-se muito mais úteis em missões como estas. Afonso de Albuquerque previu a importância deste estreito. Não havia petróleo, no entanto percebeu a importância de ter um pé na Pérsia, hoje Irão. Percebeu que ali residia uma chave escondida que era preciso ter na mão; era um visionário muito sagaz. Assim o provou na Índia com a miscigenação. Pagou caro “o engenho e a arte” de estadista que era. Mas é assim, a inveja de muitos anula a obra de alguns. “Todo o mundo é composto de mudança” disse Camões, mas, meu caro épico, a inveja é lapa que vem agarrada a toda e qualquer mudança. É atávica.


© Diário do Minho