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A “marcar passo”

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16.03.2026

No sentido de não interromper o ciclo de manchetes nos jornais sobre grandes obras que nunca chegaram a acontecer, eis que o executivo Municipal, pela voz do atual “manda chuva” da Câmara Municipal de Braga (CMB), resolve dar-lhe continuidade. Exemplo disso, é o anúncio da criação da famosa Circular Rodoviária Externa de Braga (CREB). E fê-lo com tamanho ênfase, como se tivesse acabado de descobrir uma jazida de petróleo. 

Ora, eu, cidadão comum, que nunca precisei de andar a bajular políticos e muito menos pendurado nos eleitos locais, venho alertando há mais de uma década (pelo menos desde 2010) para a necessidade não só de uma Variante, como de uma CREB. A primeira, seria a do Cávado que parou em Frossos e que tinha a finalidade de aliviar o estrangulamento do tráfego automóvel que se verifica na concorrida Avenida Dr. António Macedo. Já a segunda, de maior envergadura, deveria passar ao largo da área metropolitana, como é a atual da nossa Bracara Augusta, conectando várias vias radiais e distribuindo o trânsito por forma a evitar as entradas no seu perímetro urbano em crescendo.

Fi-lo, por várias vezes, através do jornal DM (basta consultar exemplares dessa altura) pela perceção que tinha do caos que de futuro se iria verificar não só nos acessos, como dentro da cidade. Autênticas vias-rápidas de descompressão que seriam uma mais-valia para a vida das pessoas e economia do país. E o que sempre me respondia o Autarca anterior? Que só escrevia palermices. Sintoma da inércia e desnorte de quem presidiu durante 12 anos, em ambiente festivo, aos destinos do Município bracarense cujo resultado está à vista. Culpa teve quem foi na conversa e nele votou.

Depois, quem não sai bem na fotografia é o atual Edil-mor que, enquanto vereador com pelouro, fez parte da mesma gestão, entre 2013 e 2025, sem nunca ter tocado no assunto. Talvez, esse, um dos motivos pelos quais não foi bafejado, com uma maioria eleitoral absoluta. Já que o outro se prende com o facto da equipa ‘Juntos por Braga’, apesar de três maiorias confortáveis, não se ter pautado pela regra das prioridades. 

Inação, que se levarmos em linha de conta que a 1.ª fase da referida CREB só estará pronta a ser inaugurada no fim deste mandato, ela só ficará concluída, oxalá me engane, no final dos 3 mandatos. O que elevará para 24 anos o seu atraso. Aliás, quando para a obra nova ETAR do Este, por demais anunciada, ainda nem terrenos assegurados existem para o efeito, nem data para finalizar o famigerado Ecoparque das Sete Fontes, que dizer do espaço ainda por libertar para dar continuidade à CREB? Pelo que resta esperar pelo desatar do ‘Nó de Infias’, cuja Edilidade prevê vir a acontecer em junho próximo.

Ademais, não esqueço as prometidas passadeiras inteligentes para peões, tão badaladas na imprensa local, que nunca viram a luz do dia. Isto, quando a cidade se vem pautando por alto índice de atropelamento de peões –, dando origem a vítimas mortais e feridos. Já que não houve, não há, nem parece estar na forja um plano estratégico que vise a segurança rodoviária e a diminuição da sinistralidade. Plano, esse, com vista não só ao controle de velocidade, como à moderação da agressividade na condução, por forma a limitar os acidentes nas avenidas e ruas bracarenses. 

Na verdade, a Roma portuguesa há chegado a um ponto de grandes dificuldades em termos da insuficiência de vias alternativas, cujo diagnóstico ninguém estará interessado em fazer. Porém, como para um bom entendedor meia palavra basta, direi que foi a incompetência e o imobilismo que deixaram Braga a “marcar passo” em termos de mobilidade e não só. 

Se, como lá diz o povo, “ovelha que não berra não mama”, pena é que se tenha perdido a velha estratégia – outrora usada por um saudoso Presidente da CMB – de ir à Capital do país exigir à respetiva tutela Governamental o compromisso e a celeridade quanto às infraestruturas de que a nossa bimilenária Cidade dos Arcebispos carece. 


© Diário do Minho