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A coragem de ter menos

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11.07.2026

A simplicidade tornou-se uma palavra ambígua. Pode significar sabedoria ou disfarçar privilégio; pode libertar da ansiedade de possuir ou converter-se em mais uma estética de consumo. Por isso, antes de a elogiar, convém purificá-la das caricaturas. A simplicidade não é romantização da escassez, nem convite a aceitar injustiças com resignação elegante. Quem não tem o necessário não precisa que lhe preguem o encanto do pouco; precisa de justiça, salário digno, casa, tempo e segurança. Ela só se torna valor quando nasce da liberdade de escolher melhor, não da violência de viver sem o suficiente.

Feita a distinção, compreende-se a sua força. Vivemos cercados por uma economia que não vende apenas objetos, mas desejos; não ocupa apenas casas, mas imaginações. A acumulação tornou-se uma pedagogia silenciosa: ensina-nos a desejar por comparação, a comprar por insegurança e a mostrar para existir. O problema não está nas coisas em si mesmas, mas na dependência que nelas........

© Diário do Minho