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Gonzaga Codeço

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29.04.2026

Ele, Gonzaga Codeço, com 95 anos de idade, bem pesados, bem medidos e melhor vividos, ficou para o fim; e porque pertencia a uma grande e animada tertúlia de amigos, entretinha os ócios da reforma, ora nos bancos dos jardins públicos entre dois dedos de amena cavaqueira de política e de futebóis, ora nas casas de pasto entre umas rijas suecadas e umas apetitosas pataniscas de bacalhau ou de fígado bem regadinhas com abundantes copos de tintol.

Levou-os todos à eterna morada com aquela ternura e verdade que fazem das

coisas mais simples e banais autênticos atos de fé; e sempre que lá deixava um amigo, fosse num mausoléu, fosse numa campa rasa, era como um bom pedaço de si mesmo que também por ali ficava, debaixo das paradas de terra e ou do silêncio eterno.

“– Porra, pelos amigos a gente dá-se e vira-se nem que seja do avesso, se for caso........

© Diário do Minho