Portugal: entre o real que importa e o surreal catártico
O povo, o país que se entusiasma com a bola foi há dias forçado a render-se à realidade, a abandonar projetos fantasiosos de uma vitória num mundial de futebol, no qual a seleção nacional da modalidade se apresentou sem brilho.
Portugal, um país pequeno que tem oscilado, numa espécie de perfil bipolar, entre a autocomiseração e a infundada, arrojada e desmedida, aura de grandeza.
Ao tempo da 1.ª Guerra Mundial, Almada Negreiros, iconoclasta, no seu entretanto afamado Manifesto anti-Dantas (“Manifesto Anti-Dantas E Por Extenso”, no título original) para lá de desancar em Júlio Dantas, figura pública com aspirações literárias que Almada desdenhava, deplora também o país em que vive. Não obstante as suas raízes também africanas, impiedoso, Almada atira no “Manifesto” que Portugal que com todos estes senhores (Júlio Dantas e outras figuras afins com projeção e poder à época) conseguiu a classificação do país mais atrasado da Europa e de todo o mundo! O país mais selvagem de todas as Áfricas! (…) Todavia, Almada concede alguma esperança quando diz que Portugal inteiro há de abrir os olhos um dia - se é que a sua cegueira não é incurável e então........
