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Ser advogado nos dias que correm...

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26.05.2026

“A essência, a dificuldade, a nobreza

da advocacia é esta: situar-se no último degrau

da escada, junto ao imputado." 

 Francesco Carnelutti

(Faço um já habitual disclaimer: eventualmente, a genética teve um factor preponderante. Escolhi ser advogada, essencialmente de barra, há mais de 20 anos. Nos últimos anos, por múltiplos factores, disfarçada de evolução tecnológica e apoiada em protocolos com Ordens profissionais de outros países, felizmente cessados, tenho assistido a uma crescente degradação do sistema que já não é possível calar. Ser advogado nos dias que correm deixou de ser “tocar as estrelas”, numa citação de um antigo bastonário, para descer demasiadas vezes aos infernos. Parece-me importante que os cidadãos no geral, rápidos a apontar a pistola do discurso crítico aos seus mandatários, tenham plena consciência das condições em que estes trabalham.)

Comemorou-se no passado dia 16 de Maio o Dia do Advogado, data que terá passado ao lado da maior parte dos portugueses e, diria até, dos próprios advogados, com excepção das mesmas caras de sempre nas mesmas cerimónias de sempre. Ultrapassado esse dia, em que se procura galvanizar a classe, o quotidiano trata de nos remeter à dura realidade que o exercício da advocacia, principalmente fora das grandes sociedades de advogados, representa.

Havendo um quase divórcio entre os seus associados e a Ordem dos Advogados, a verdade é que o público em geral desconhece as actuais condições do exercício da advocacia e quais os motivos de descontentamento dos seus profissionais.

Desde logo, o advogado e o cidadão comum são os únicos que têm de cumprir prazos, sob pena de verem os seus direitos naufragados. Enquanto, por exemplo, o........

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