O corpo é uma paisagem
Para lá das peripécias que os filmes colocam em cena, para lá da condição discreta ou mítica dos seus atores, explorando ambientes intimistas ou cenários espetaculares, a história do cinema ganha em ser vista através dos seus paradoxos. Voltei a lembrar-me desta regra ao dar-me conta de uma efeméride que vale a pena assinalar. Ou seja: foi há 60 anos que se estreou (em Los Angeles, 24 de agosto) Viagem Fantástica, de Richard Fleischer – por estes dias, tem estado disponível na plataforma AppleTV.
Qual a questão paradoxal? Era um tempo em que as aventuras e epopeias de maior impacto exploravam, de uma maneira ou de outra, a dimensão sedutora, porventura encantatória, dos grandes espaços. Entre os líderes de bilheteira de 1966 encontrávamos, por exemplo, dramas históricos como Hawai, de George Roy Hill, ou Yang-Tsé em Chamas, de Robert Wise, ou ainda, Grand Prix, de John Frankenheimer, um retrato........
