Ecrãs e paredes de vídeo
Quando se discutem os poderes dos ecrãs televisivos, quase tudo se esgota no modo como neles se “representa” o mundo à nossa volta. Assim se recalca uma questão que passou a ser vital nas nossas vidas, da cena política até à organização da intimidade. A saber: como é que esses ecrãs determinam e, por vezes, comandam a organização do próprio mundo?
Há mais de meio século, Roberto Rossellini, intransigente no seu humanismo clássico, chamou a atenção para a gravidade de tal questão. Em 1975, Jean-Luc Godard realizou o seu admirável Número Dois, sobre a reconfiguração das nossas vidas através da ditadura dos ecrãs - eis um filme que deveria servir de referência pedagógica para os programadores que forçam a televisão a funcionar como um tribunal “popular” enraizado no menosprezo pela inteligência dos espectadores.
Recentemente, temos assistido ao triunfo de um conceito “decorativo” dos ecrãs - dos grandes ecrãs, entenda-se, consagrados com a designação anglo-saxónica de "video walls”. Aliás, seria........
