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Aventura, noite e eclipse

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14.08.2026

As multidões do mundo contemporâneo são, com frequência, encenações que tendem a apagar a solidão de cada uma das suas personagens. “Não vale a pena discutir a solidão. É uma perda de tempo” – diz Ester (Ingrid Thulin), uma das duas irmãs que Ingmar Bergman filmou em O Silêncio (1963). Talvez não valha mesmo a pena, talvez seja mais urgente tentar compreender o que realmente acontece nessas encenações em que procuramos os êxtases prometidos pelos mais poderosos, com destaque para os publicitários, os influencers e os gurus televisivos.

Deixámos de ser uma sociedade em que se partilham acontecimentos. Aliás, os acontecimentos mudaram de nome: são eventos, vivemos num presente tecido de eventos. Há mesmo uma classe de almas penadas, a que alguma imprensa atribui a designação de “famosos”, cujos membros não possuem qualquer dimensão existencial a não ser a que adquirem através da circulação por... eventos. Tudo é ou pode ser evento, correndo-se o risco de, nesse........

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