“Sem infância”
“A brincadeira é o trabalho da infância”.
Jean Piaget
Ao calhas esbarrei com um artigo que titula que a falta de brincadeiras ao ar livre afeta 70% das crianças em Portugal. A dado momento pode ler-se que “as crianças não saltam. As crianças não pulam. As crianças não correm: estamos a criar uma espécie de iliteracia motora”. Uma geração ‘presa’ às cadeiras e aos ecrãs, com excesso de proteção e com uma tremenda falta de experiências físicas básicas.
Estas frases levam-me a viajar à infância que tive e vi. Uma radiografia oposta onde o brincar era permanente, com crianças na rua, soltas, sem o olho controlador dos pais.
Não defendo o andar à rédea solta. O mundo mudou. Não é necessário viver na cidade para constatar o perigo. As aldeias são hoje fantasmas. Aqui e acolá uma criança, por norma, sozinha, vergada ao monitor. É raro ver grupos de jovens. A rua é chão estranho, empedernido, longe das pegadas e carreiros repetidos.
As eiras desapareceram. As malhadas foram atrás. Acabou a ‘badola’ da vitória e a ‘beiça’ pela derrota. Há pouco espaço rebelde. As juntas de freguesia até oferecem condições como campos abertos ao futebol e a outras modalidades. Nada disto convence. O conforto do sofá vence o enfrentar do frio, o querer ganhar ao bairro ou freguesia.
Tudo isto, “compromete o desenvolvimento físico e emocional dos mais novos”, defende a fisioterapeuta Beatriz Queiroz, também líder do MyNorth, sediado em Cascais. Um espaço que convida a desacelerar, a escutar........
