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“Há despertares que são quase uma...”

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03.04.2026

Aqui estou eu, de olhos abertos, rendida, frente a vós, olhando o vosso rosto sofredor, tomando a vossa como minha dor, no meu regaço cubro-vos de amor. O ar enche-se de silêncio reverente. Revejo no vosso rosto tantos outros olhares. Encontro a cor da vossa pele a franzir outros sorrisos adormecidos, um gesto tão breve e tão puro que parece conter o mundo inteiro dentro dele. É um momento de silêncio e reflexão, onde o coração se abre para sentir a profundidade do sacrifício e do amor. Cada suspiro, cada lágrima transforma-se numa prece silenciosa, uma conexão íntima com o invisível. Hoje é dia de lembrança e de luto, os sentimentos mais profundos elevam-se numa oração silenciosa, revelando a essência da esperança que persevera além do entendimento. É um momento de reconciliação e de recordar o amor incondicional. Uma oportunidade para refletirmos sobre a importância do perdão, da compreensão e do carinho que devemos dedicar aos nossos entes queridos e a todos ao nosso redor. Ao relembrar o amor incondicional, fortalecemos os laços afetivos e renovamos a nossa esperança num mundo mais compassivo e harmonioso. Que possamos aproveitar esse momento para cultivar a paz interior e espalhar gentileza, lembrando que o amor verdadeiro não conhece limites ou condições. De repente, tudo em mim se aquieta. Lá fora parece estar tudo em sintonia. Dou-me conta de que há despertares que são quase uma oração. Chegaram os cânticos da passarada para alegrarem o amanhecer da vida. A primavera veste a terra de cores novas, como se cada flor fosse um sorriso despertado pelo sol, e desenha no ar a promessa doce e perfumada de recomeço. Até o silêncio parece sorrir. Há um rumor doce nas folhas, um brilho leve no céu e a sensação de que tudo pode regenerar-se. A primavera faz as flores florescerem, abrirem-se e renascerem, permitindo o seu máximo potencial de beleza e cor após o inverno. É um processo de transformação, renovação e despertar da vida, frequentemente citado na literatura como uma metáfora de desenvolvimento pessoal e de beleza interior.  A primavera toca o coração, abre portas e janelas, sacode o pó dos dias e reacende sonhos adormecidos. É como se o mundo fosse uma pluma leve a erguer-se ao sabor do vento, numa dança extraordinária contra o velho tempo, que tarda a passar. Eis senão quando uma cegonha-branca ajusta um galho no bico e risca o céu com a elegância de quem conhece todos os caminhos da paz, do feno sobe um perfume fresco, misturado ao salpicar das margaridas e das papoilas, pequenas brasas vermelhas acesas no campo que nos permitem respirar liberdade. Alheia à dureza amarga da vida e do encrespar do tempo, com apenas três ingredientes (movimento, aroma e cor) e sem pincel, a natureza escreve poesia de olhos fechados. Eu, amante da doçura breve das manhãs silenciosas, bebo o néctar fresco do orvalho, deixo-me abraçar pelo sol quente e, com os olhos abertos da alma, escolho desenhar um sorriso novo no horizonte, que se renove a cada instante! Por isso, desprega esses teus pés… e vem comigo! Afinal, na primavera, o dia é maior que ontem era!

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