O ajuste fiscal e a pergunta que o Brasil precisa fazer
Giovanni Bevilaqua — doutor em economia
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Toda vez que o tema volta à mesa, a receita já vem pronta. Desindexar o salário mínimo do crescimento do PIB. Afrouxar os pisos constitucionais de saúde e educação. A justificativa é sempre a mesma: não há alternativa, o país precisa escolher entre o ajuste e o abismo. Há, de fato, um problema real. As despesas obrigatórias crescem mais rápido que a receita, e a trajetória da dívida pública preocupa quem acompanha o tema com seriedade.
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O que incomoda não é o diagnóstico. É a certeza com que se encerra o debate antes mesmo de ele começar, como se existisse apenas um caminho possível e ele passasse, inevitavelmente, pelo bolso de quem tem menos margem para reclamar. Setenta por cento dos benefícios do INSS seguem o salário mínimo. O SUS depende de seu piso constitucional para manter o atendimento onde ele é mais necessário. Quando a sustentabilidade fiscal escolhe justamente esses dois alvos como prioridade, cabe perguntar: por que o ajuste começa sempre por quem mais depende do Estado? E, afinal, quem deve pagar essa conta?
Porque existe outra estrutura no orçamento brasileiro e ela raramente é submetida ao mesmo rigor........
