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A luta encarniçada contra "houveram"

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Welber Barral — advogado, doutor em direito internacional pela Universidade de São Paulo (USP)

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O colapso das civilizações raramente começa de forma dramática. Roma não caiu num único dia. O Império Britânico não se dissolveu rapidamente. A decadência chega devagar, infiltra-se nos detalhes, corrói discretamente os pilares da normalidade. No Brasil contemporâneo, ela começou, indevidamente, com uma epidemia acústica; uma praga verbal que atravessa redações, escritórios, podcasts, salas de reunião e painéis corporativos sobre liderança. Um horror gramatical: a praga do "houveram".

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O fenômeno ganhou capilaridade, não distingue classes sociais, profissões ou graus acadêmicos. O flagelo do "houveram" está no elevador corporativo, no LinkedIn motivacional e no comentarista político para quem "houveram cenários complexos". Outro dia, um sujeito de relógio suíço, sapato inglês e um óbvio histórico turbulento com a língua portuguesa afirmava, com convicção........

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