A conta de energia e a armadilha da "meia-entrada"
Richard Hochstetler — diretor regulatório do Instituto Acende Brasil; Claudio Sales — presidente do Instituto Acende Brasil
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O consumidor brasileiro convive com um paradoxo incômodo: como um país com recursos energéticos tão abundantes apresenta tarifas de eletricidade tão altas? A resposta não está propriamente na geração, na transmissão ou na distribuição da energia, mas no que se "pendura" na fatura.
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Estudo realizado anualmente pela PwC em parceria com o Instituto Acende Brasil revela que 44,8% do valor pago na conta de luz é composto por tributos e encargos. Embora a carga tributária sobre a conta de energia tenha apresentado ligeira redução nos últimos anos, os encargos setoriais seguem em escalada desenfreada: entre 1999 e 2024, a participação desses encargos na tarifa saltou de 6,2% para 14,8%.
Esse aumento descontrolado é o reflexo direto de uma persistente "cultura da meia-entrada" no Brasil. Sob o pretexto de fomentar fontes ou subsidiar grupos, instituem-se benefícios que, embora pareçam........
