A falência da maledicência
E depois há aqueles que fizeram da maledicência uma profissão de fé. Não constroem. Comentam. Não apresentam soluções. Suspeitam. Não mobilizam. Dividem. E, sobretudo, não conseguem resistir à irresistível tentação de falar sobre os outros.
É uma existência curiosa. Enquanto uns discutem o futuro da sua terra, outros passam os dias a fazer contas às conversas alheias, aos almoços, às amizades e às escolhas dos outros. É uma espécie de contabilidade sentimental da política, extenuante e profundamente inútil.
A maledicência tem, aliás, uma característica fascinante: apresenta-se disfarçada de superioridade moral. O maledicente nunca está simplesmente a dizer mal. Está sempre, segundo ele, a defender princípios, a proteger instituições, a exigir ética, a salvar partidos ou........
