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Infantino: o princípio do fim

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09.08.2026

Durante quase uma década, Gianni Infantino construiu uma imagem de líder politicamente invencível. Sobreviveu ao rescaldo do FIFA Gate, enfrentou as críticas ao Mundial do Qatar, expandiu o Campeonato do Mundo para 48 seleções, criou um novo Mundial de Clubes, reforçou a capacidade financeira da FIFA como nenhum dos seus antecessores e construiu uma rede de influência que fazia parecer impossível imaginar uma alternativa à sua liderança. Sempre que surgia uma polémica, parecia sair politicamente mais forte. Mas, pela primeira vez desde que assumiu a presidência da FIFA, em 2016, o suíço encontra-se verdadeiramente fragilizado.

A história demonstra que dirigentes de grandes organizações raramente caem devido a um único escândalo. Caem quando diferentes episódios, aparentemente desconexos, começam a contar a mesma história. É precisamente isso que parece estar a acontecer…

Nos últimos meses, sucederam-se sinais que, isoladamente, talvez fossem ultrapassáveis. Em conjunto, porém, desenham um cenário político muito mais complexo. O primeiro sinal surgiu durante o Mundial. A polémica em torno da revisão do castigo aplicado a Folarin Balogun, após contactos entre Donald Trump e Gianni Infantino, desencadeou críticas, pedidos de esclarecimento e alimentou dúvidas sobre a independência da FIFA. Embora algumas das acusações mais graves nunca tenham sido confirmadas, o episódio marcou o início de uma sucessão de polémicas que deixou de ser ignorada.

Pouco depois surgiu aquela que poderá tornar-se a crise mais séria do seu mandato: o projeto FIFA Forward Enterprise. A tentativa de criar uma estrutura destinada a permitir a entrada de investidores privados na exploração comercial das principais competições da FIFA transformou-se na maior derrota política de Gianni Infantino desde que chegou ao cargo. A proposta acabou retirada perante a oposição de várias confederações, mas o verdadeiro dano já estava feito: expôs divisões internas, fragilizou a liderança do presidente e abriu uma crise de confiança sem precedentes.

A contestação não nasceu apenas da possibilidade de entrada de investidores privados. Nasceu porque muitos dirigentes entenderam que Gianni Infantino ultrapassou uma linha que nunca deveria ser cruzada. O Campeonato do Mundo nunca foi visto como um simples ativo comercial. É o maior património coletivo do futebol mundial, construído ao longo de quase um século por jogadores, seleções, adeptos e federações. A possibilidade de alienar parte da exploração económica da competição foi interpretada por muitos como uma cedência inédita dos interesses do futebol aos interesses do........

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