Entre a ambição e a pressão
A relação entre ambição e pressão no desporto nunca foi tão delicada como hoje. Foi essa ideia que me ficou depois de participar como orador, juntamente com João Tralhão, treinador adjunto de José Mourinho, e Teresa Fonseca, professora universitária, na «Conferência Integrada de Desporto: Educar, Cuidar, Superar», que decorreu em São João da Pesqueira. As intervenções e o debate levaram-me a prolongar essa reflexão e a escrever sobre um tema que considero cada vez mais central no desporto atual: o modo como estamos a formar jovens atletas entre a exigência e o medo de falhar.
O futebol sempre viveu de ambição. É a ambição que leva uma criança a sonhar jogar num grande estádio. É a ambição que faz um jogador chegar mais cedo ao treino, ficar mais tempo depois ou repetir centenas de vezes o mesmo gesto técnico. É ela que sustenta o caminho até ao alto rendimento. Sem ambição não há crescimento. O problema começa quando a ambição deixa de ser combustível e passa a ser um peso.
Há hoje uma linha muito ténue entre ambição saudável e pressão destrutiva. E, no futebol atual, essa linha está cada vez mais difícil de identificar. Durante muitos anos, errar fazia parte do processo. Um jovem falhava um passe, falhava um golo de baliza aberta, sofria um frango, perdia um jogo, tinha uma má decisão… e a vida seguia. O erro era silencioso. Fazia parte do processo. Era formativo. Era humano.
Hoje, já não é bem assim. Um erro transforma-se em julgamento público. Em comentário. Em vídeo viral. Em memes. Em crítica permanente. O jogo já não termina no apito final do árbitro. Continua nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp e na exposição constante. E isso muda completamente a forma como muitos jovens vivem o futebol. As redes sociais são um problema? Quanto........
