Boas decisões de Luciano Gonçalves
Pode parecer contraditório defender menos divulgação e, simultaneamente, exigir maior transparência. Não é.
A transparência institucional não consiste em mostrar tudo. Consiste em garantir que nada relevante fica impossível de escrutinar.
O árbitro não é o protagonista do jogo e a arbitragem não deve ceder à tentação de o transformar nisso. O seu protagonismo deve, tanto quanto possível, terminar com o apito final.
Não faz sentido ser o próprio Conselho de Arbitragem, presidido por Luciano Gonçalves, a prolongar ou ressuscitar polémicas através de comunicações sobre decisões tomadas semanas ou meses antes, quando o jogo passou e a polémica desapareceu.
A arbitragem não precisa de comunicar mais. Precisa de decidir melhor e de conseguir demonstrar, quando necessário, a solidez dos processos através dos quais decide.
Pela mesma razão, é do interesse dos próprios árbitros que a crítica razoável às suas exibições não seja penalizada.
A liberdade de expressão é incontornável em 2026 e o escrutínio acompanha todos os poderes: político, judicial, económico ou desportivo. A arbitragem não pode pretender constituir uma exceção.
Uma polémica que poderia terminar no fim do jogo prolonga-se pela instauração do processo, acusação, decisão e sucessivos recursos. Meses depois, quando praticamente ninguém discutiria aquela arbitragem, é o próprio sistema que volta a colocá-la na agenda.
O adepto não precisa de........
