O leão de duas faces
Na Europa, na estreia desta edição da Liga dos Campeões, o Sporting soube transformar uma desvantagem numa vitória. Em Famalicão, deixou escapar uma vantagem, consentindo um empate penalizador para as aspirações no campeonato. Entre o triunfo por 3–1 diante do Galatasaray e a igualdade a uma bola de domingo, o universo leonino voltou a oscilar entre a satisfação pelo que esta equipa consegue fazer de bom e a inquietação perante aquilo que, demasiadas vezes, continua a conceder. O talento individual aparece a espaços e vai compensando lacunas do coletivo. Porém, a consistência tarda em ganhar forma e as ambições no campeonato não se sustentam em meras boas intenções.
Importa, desde logo, não simplificar a análise, como se o Sporting tivesse sido inteiramente competente na Champions e absolutamente incapaz na Liga Portugal. Diante dos turcos, as duas faces do Leão couberam no mesmo jogo. A equipa entrou desconfortável perante a pressão adversária, perdeu demasiados duelos, revelando pouca agressividade, e demorou a encontrar os caminhos para sair a jogar. Cresceu depois, sobretudo na segunda parte, com outra combatividade, melhores ligações e maior capacidade para explorar os espaços. Rui Borges teve mérito nas alterações promovidas na cabine durante o tempo de descanso. Ficou evidente uma outra atitude na segunda parte e, acima de tudo, uma outra forma de a equipa se posicionar, sair a pressionar a saída de bola e a encontrar os atalhos para ferir o adversário.
Com efeito, seria intelectualmente desonesto responsabilizá-lo pelas dificuldades iniciais e negar-lhe participação nas soluções introduzidas ao intervalo que ajudaram a superá-las. Houve dedo do treinador, devemos ser justos a reconhecer o mérito de virar o jogo para uma importante vitória. Mas admitir a capacidade de corrigir não dispensa a pergunta sobre a preparação para começar melhor, o que podia ter implicado um outro........
